Chico Buarque

"Canta, canta uma esperança / Canta, canta uma alegria / Canta mais..."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Votos

"Quando chega o Natal, tempo de honrarmos a Nosso Senhor Jesus Cristo, é o tempo - existem pesquisadores escutando a comunicação com as árvores, os animais - em que a matança é imensa; escolhemos a classe dos perus. Se eles pudessem, corriam de nós mil léguas, quando falássemos o nome de Jesus..."
O comentário, recolhido em março de 1983 pela pena de Carlos Baccelli, é do médium Chico Xavier e com ele  inicio esta postagem à guisa de mensagem "natalina" para os seguidores e visitantes eventuais deste blog, revelando, nas entrelinhas, minha antiga, talvez atávica difícil relação com a festa desta época. Não farei apologia do excesso de consumo próprio da ocasião, mas prefiro trilhar pelo lado oposto, o da escassez - até mesmo de afeto - que muita gente experimenta mais acentuadamente nos festejos comemorativos do aniversário de Jesus, que em verdade aconteceu em março, segundo os exegetas (o peixe não é o símbolo do Cristianismo por acaso, isto é, não apenas por causa da multiplicação dos pães e peixe, não só porque o Cristo teve pescadores a seu lado, os quais estavam incumbidos de serem também pescadores de almas...). Nesse aspecto, para não fugir à tradição deste blog, recordo um episódio da infância e adolescência em Feira de Santana referente à época que sempre me provocou uma indefinível tristeza, só hoje explicada e compreendida. Então, aproximando-se o Natal, macambúzio me tornava e pensava que a melhor forma de passar o Natal - o que eu faria somente quando eu crescesse (desnecessário dizer que jamais tive ocasião para isso) - era ouvindo (boa) música solitariamente num quarto escuro. Músicas que falassem, mesmo incompreensivelmente, de tempos imemoriais, da vida entre povos exóticos, das alegres escaramuças entre nativos norte-americanos antes da conquista europeia... músicas como esta "One more a cup of coffee", de Bob Dylan:


Your Breath is sweet, your eyes are like
Two jewels in the sky
Your back is straight your hair is smooth
On the pillow where you lie.
But I don't sense affection
No gratitude or love.
Your loyalty is not me but to the stars above
Chourus :
One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee for I go,
To the valley below.
Your daddy he's an outlaw
And a wanderer by trade.
He'll teach you how to pick an choose
And how to throw the blade.
And he oversees his kingdom
So no stranger does intrude.
His voice it trembles as he calls out
For another plate of food
Chorus
Your sister sees the future
Like your momma and yourself.
You've never learned to read or write
There's no books upon your shelf.
And your pleasure know no limits
Your voice is like a meadow larks.
But your heart is like an ocean
Mysterious and dark.

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