Quando era redator na revista Visão Espírita criei uma coluna com o título em epígrafe, na qual esmiuçava letras de composições da MPB relativamente famosas para extrair mensagens de ordem espiritual, o que é possível mesmo que o(s) autor(es) não tivesse(m) essa intenção. Fiz isso com Guilherme Arantes ("Cuide-se bem"), Chico Buarque ("O velho Francisco") e Geraldo Azevedo ("Dona da minha cabeça"), dentre outros. Embora já tenha comentado esse fato aqui, algures, voltei a lembrar disso esta manhã, enquanto lavava a louça e ouvia, na Rádio Educadora da Bahia, Nana Caymmi cantando "Resposta ao tempo", quando pude reparar melhor na letra dessa música de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc (letra abaixo). Prestando atenção, imaginei se tratar de uma comparação entre o tempo e o amor (na pele do sujeito poético, o tal do "eu"). Vejam se não é assim, se o amor não é mais potente que o tempo!
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
