
À parte aquele que enche minha existência de luz, na pessoinha do meu neto, um outro Pedro fez presença em minhas lembranças, como companheiro de juventude, amigo extemporâneo que a vida levou para outras plagas. Que é dele? Quando garoto, nós o chamávamos de "Come-come", não sei bem por qual razão, porque era magro como um palito - e nisso no assemelhávamos. Sim, morávamos no mesmo bairro em Feira de Santana e quando vim para a capital pude vê-lo mais duas ou três vezes, na época em que ainda fazia a faculdade de Comunicação e frequentava os espaços próprios da estudantada, como as festinhas dadas para arrecadação de verba para os mais diferentes fins. A última vez em que estive com Pedro foi durante e após uma dessas festas, realizada na Residência Estudantil da Vitória. Voltávamos em grupo pelo Campo Grande e Pedro, dado às lides artísticas - pintava muito bem e arriscava uns versos que também musicava -, cantarolava uma cançãozinha de sua lavra que ficou para sempre em minha mente, devidamente deturpada, contudo. Em razão desses versos, imaginei uma novela que jamais pus no papel, inspirada na composição de Gilberto Gil "Super-homem, a canção" (letra abaixo). E bem a propósito, essa peça literária levaria o título de "Super-homem, a novela" e teria em Pedro a personagem central. Um dia, quem sabe, as musas "venham me restituir a glória" e eu faça justiça homenageando meu amigo...
Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher

2 comentários:
Belo relato! Faço votos que a novela saia. E essa canção é linda demais.
Belo post!
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