sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Menina de Santo Amaro


Guardo poucas mas interessantes recordações de Santo Amaro, da época em que lá passávamos os períodos de férias de meu pai, como a alegria com que as tias nos recebiam, uma delas, do alto da escada que parecia enorme aos meus olhos, dizendo, à guisa de boas vindas: "Lá vem a turminha miúda". Éramos meus dois irmãos mais eu, embora em não me lembre de nenhum deles ao meu lado, nessa época, talvez porque a presença dos tios fosse mais marcante, especialmente tio Tadeu, que já tomou o elevador. Foi com ele que desci à rua na ocasião em que parecia que Cauby Peixoto estava na cidade. Também foi junto com ele que, do alto da janela dos fundos, no sótão do casarão, vi uma cena que jamais esqueci, a da menina que tirou toda a roupa para sua mãe lavar no tanque. Soube naquele mesmo dia que ela se chamava Cândida, pois ouvi sua mãe gritar por ela, pedindo que trouxesse a roupa para a lavagem... Quando recordo essas imagens, as cenas me vêm em completo silêncio na memória, como se se tratasse de um sonho, e se penso numa trilha sonora que combinasse com tal lembrança, o que me ocorre neste momento é a música de Paul Simon e Art Garfunkel "The sound of silence", que me apaixonou ao chegar a Salvador e iniciar uma outra vida, a terceira das muitas etapas da existência que vivencio...

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.

4 comentários:

Chorik disse...

Delicadas lembranças, com trilha especialíssima.

Iúna disse...

bom ter criança em casa, né?!
essa música é mesmo apaixonante, eu adoro ouvir mil vezes seguidas cada uma das músicas dessa dupla.

Edu O. disse...

Sto Amaro sempre nas recordações de quem a conhece.

- Por favor, como vc conseguiu esta imagem para o blog? Queria colocar uma imagem minha, mas não sei modificar, sempre somente com as possibilidades que o blogspot dá. Queria algo mais pessoal. obrigado.

Chico Muniz disse...

http://www.thecutestblogontheblock.com/

Edu, o link acima oferece várias possibilidades de personalização de blogs. É só seguir os passos. Está em inglês, mas penso q vc não terá dificuldades.
abraços.