sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Colaboração II


Olha que luxo, duas postagens num só dia! Desta vez aproveito os dizeres sentidos do e-amigo Edu O. (Monólogos da Madrugada - http://monologosnamadrugada.blogspot.com/) sobre sua admiração por Cazuza, que já vem com a letra de "Bete Balanço". Não é mesmo pra se dizer oba? Aí está:


"Cazuza é meu ídolo. Hoje terá um programa em sua homenagem na TV Globo, resolvi publicar a letra de uma música dele quando estava junto ao Barão Vermelho e retrata a insegurança do artista, retrata a dificuldade de seguir um sonho, mas com esperança. Estou precisando dessa esperança porque já não acredito que possa haver respeito pelo artista nesse Governo de m.......

Todos sabem que viajo sábado para um projeto que fui convidado, não pedi para participar, me convidaram, insisto e viajarei sem um tostão, porque o pagamento eles disseram só sairá semana que vem. Como irei para outro país sem dinheiro? Por que não se organizam para pagar ao artista o que lhe é de direito. A SECULT insiste em torturar os artistas que dependem dela, é sadismo demais fazer o artista sofrer, chorar, se inquietar e depois tem que chegar no palco e agradecer ao GRANDE apoio que deram. Enchi o saco. Enchi o pote!"

Pode seguir a tua estrela
O teu brinquedo de star
Fantasiando em segredo
O ponto aonde quer chegar

O teu futuro é duvidoso
Eu vejo grana, eu vejo dor
No paraíso perigoso
Que a palma da tua mão mostrou

Quem vem com tudo não cansa
Bete balança meu amor
Me avise quando for a hora

Não ligue pra essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe
Sentadas, são tão engraçadas
Donas das suas salas

Quem tem um sonho não dança
Bete Balanço, por favor
Me avise quando for embora

Colaboração


Pedi licença à e-amiga Maria Sampaio (http://continhosparacaodormir.blogspot.com/) para copiar seu texto sobre Maria Bethânia. Aí vai:

"Quando os novos discos de Maria Bethânia chegaram à Bahia eu estava saindo de férias. Cheguei há cerca de uma semana e ouço, ouço muito "Tua" e "Encanteria".
Acompanho e conheço a carreira de Maria Bethânia. Tenho a felicidade de, a cada novo trabalho dela, me surpreender com a beleza, a competência na escolha do repertório, a sua autoria clara majestosa na composição de cada disco (e show) realizado. Intérprete a mil. Com que voz! Inigualável, cada vez mais bela, mais dizível dentro de cada um de nós que a escuta.
Não é a primeira vez e é novo, novíssimo o saque dos dois discos a nos trazer inteira a grande Maria Bethânia.
Valeu, Maria Bethânia. Prestas, sempre, um enorme bem ao Brasil - e a cada um que te escuta."

Ainda não conheço esses trabalhos de Bethânia, mas ela é desses empreendedores que fazem o panorama musical brasileiro estar por cima, por isso este humilde ascensorista a quer no elevador e apresenta a letra de "Encanteria", de Roque Ferreira, cuja poesia lembra a leitura que faço atualmente sobre a Inconfidência mineira.

Vou queimar a lamparina
Quando o rei me der sinal
Eu sou da casa de mina
Ele é da casa real

Eu desci da lua cheia
Pelo raio que alumia
Eu cheguei na sua aldeia
Pra fazer encanteria

Eu vim ver minha maninha
Dona do fundo do mar
Ela canta de noitinha
De manhã dorme a cantar

Moço, apague essa candeia
Deixa tudo aqui no breu
Quero nada que clareia
Quem clareia aqui sou eu

Vou queimar a lamparina
Quando o rei me der sinal
Eu sou da casa de mina
Ele é da casa real

Vim depressa como o vento
Mas não sei porque é que eu vim
Foi num canto de lamento
Que alguém chamou por mim

Acho que cheguei mais cedo
Antes de quem me chamou
Mas, se me chamou com medo
Vou-me embora, agora eu vou

De qualquer maneira eu deixo
Nessa casa, minha luz,
Abro ponto e ponto fecho
Deixo o resto com Jesus

Vou queimar a lamparina
Quando o rei me der sinal
Eu sou da casa de mina
Ele é da casa real

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

I wish...


De verdade. Ouvir Pink Floyd é como mexer no baú das memórias...

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears

Wish you were here

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um outro Pedro


À parte aquele que enche minha existência de luz, na pessoinha do meu neto, um outro Pedro fez presença em minhas lembranças, como companheiro de juventude, amigo extemporâneo que a vida levou para outras plagas. Que é dele? Quando garoto, nós o chamávamos de "Come-come", não sei bem por qual razão, porque era magro como um palito - e nisso no assemelhávamos. Sim, morávamos no mesmo bairro em Feira de Santana e quando vim para a capital pude vê-lo mais duas ou três vezes, na época em que ainda fazia a faculdade de Comunicação e frequentava os espaços próprios da estudantada, como as festinhas dadas para arrecadação de verba para os mais diferentes fins. A última vez em que estive com Pedro foi durante e após uma dessas festas, realizada na Residência Estudantil da Vitória. Voltávamos em grupo pelo Campo Grande e Pedro, dado às lides artísticas - pintava muito bem e arriscava uns versos que também musicava -, cantarolava uma cançãozinha de sua lavra que ficou para sempre em minha mente, devidamente deturpada, contudo. Em razão desses versos, imaginei uma novela que jamais pus no papel, inspirada na composição de Gilberto Gil "Super-homem, a canção" (letra abaixo). E bem a propósito, essa peça literária levaria o título de "Super-homem, a novela" e teria em Pedro a personagem central. Um dia, quem sabe, as musas "venham me restituir a glória" e eu faça justiça homenageando meu amigo...

Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver

Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Menina de Santo Amaro


Guardo poucas mas interessantes recordações de Santo Amaro, da época em que lá passávamos os períodos de férias de meu pai, como a alegria com que as tias nos recebiam, uma delas, do alto da escada que parecia enorme aos meus olhos, dizendo, à guisa de boas vindas: "Lá vem a turminha miúda". Éramos meus dois irmãos mais eu, embora em não me lembre de nenhum deles ao meu lado, nessa época, talvez porque a presença dos tios fosse mais marcante, especialmente tio Tadeu, que já tomou o elevador. Foi com ele que desci à rua na ocasião em que parecia que Cauby Peixoto estava na cidade. Também foi junto com ele que, do alto da janela dos fundos, no sótão do casarão, vi uma cena que jamais esqueci, a da menina que tirou toda a roupa para sua mãe lavar no tanque. Soube naquele mesmo dia que ela se chamava Cândida, pois ouvi sua mãe gritar por ela, pedindo que trouxesse a roupa para a lavagem... Quando recordo essas imagens, as cenas me vêm em completo silêncio na memória, como se se tratasse de um sonho, e se penso numa trilha sonora que combinasse com tal lembrança, o que me ocorre neste momento é a música de Paul Simon e Art Garfunkel "The sound of silence", que me apaixonou ao chegar a Salvador e iniciar uma outra vida, a terceira das muitas etapas da existência que vivencio...

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fala, garoto!



Olá, aqui quem fala é Pedro, o neto do dono deste blog. Meu Vô me deixou encarregado de abrir esta postagem. Então, lá vai:

Depois que meu Vô aprendeu comigo a gostar do Cocoricó, tudo é motivo pra ele cantarolar aquelas músicas que eu adoro. Quando ele faz a vitamina matinal dele, que antes só ele e minha Dinda tomavam (agora eu também sou useiro e vezeiro), ele só pensa na voz de Alípio, Lola, Lilica e Zazá, além do Júlio, cantando "Vitamina tutti frutti" (letra abaixo), a vitamina mais animada que eu conheço e que Hélio Ziskind inventou.

A receita dele é um pouquinho diferente daquela que Júlio prepara. É assim: ele corta três bananas (às vezes ele mistura banana prata com banana da terra) em pedacinhos, junta leite em pó, um pouco de aveia e granola e, mais recentemente, um pouco de farinha de linhaça. Por cima de tudo ele coloca ovomaltine, que considera melhor que qualquer achocolatado. Então vem a água, em quantidade para três copos grandes.

Depois, é só bater tudo no liquidificador e pronto, está pronta nossa vitamina animada. Mas antes de me dar a minha parte, minha Vó faz questão de coar, para que eu não engasgue com os carocinhos da granola triturada...

‘Vamo' pessoal
Todo dia a gente tem, tem, tem, tem que levantar
Dá uma espreguiçada
Dá uma chacoalhada
E ‘vamo' lá si do ré mi fá
Tomar café ieh ieh
Café, café ieh ieh

Comer, comer, comer
Comer é muito bom
E pra ficar com muque forte
É recomendada vitamina animada

Como é que é?

Suco de laranja,
com pedaço de banana,
de maçã,
de mamão,
de manga,
de morango,
abacaxi xi xi

Liga lá, liga lá
Liga o quê, liga o quê

O liquidificador có có
O liquidificador có có

Tutti Frutti
Tutti Frutti
Vitamina de Tutti Frutti

Tutti Frutti
Tutti Frutti
Vitamina de Tutti Frutti

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Os dois maridos



Nos meus tempos de garoto, quando se perguntava quem era Maria Creuza, a indefectível resposta que se ouvia era que se tratava da mulher de Antonio Carlos & Jocafi, a dupla baiana mais famosa naqueles anos 70, começo dos 80. Era uma época em que se media a fama dos artistas revelados pela criação de toda a trilha sonora de uma novela da Globo. E os sambistas baianos se responsabilizaram pela trilha de uma novela e um seriado desdobrado desse mesmo folhetim. E era tão comum para nós, adolescentes sem as perturbações dos tempos atuais, cantarolarmos a história de "Shazam", mesclada com a paixão pelas revistas de quadrinhos de super-heróis... Nessa música a gente tomou consciência do que vinha a ser um brega. E os "maridos" de Maria Creuza talvez tenham sido, bem antes de Gerônimo, a cantar os romances de Jorge Amado, especialmente inspirando-se em "Dona Flor e seus dois maridos" - vejam a vida imitando a arte... Abaixo, a letra de "Dona da casa", par matar saudades.


Dona da casa ando adoentado
Ressabiado sem o seu amor
Agora é tarde
A Inês é morta
Abre essa porta
Vem se apaixonar, oh

Dona da casa, destino malvado
Tá do meu lado,não tente escapar
Agora é tarde
A Inês é morta
Abre essa porta
Vem se apaixonar, oh

Oh Dona da casa por Nossa Senhora
Dai me o que beber senão eu vou me embora
Oh Dona da casa por Nossa Senhora
Dai me o que beber senão eu vou me embora

Dona da casa ando adoentado
Ressabiado sem o seu amor
Agora é tarde
A Inês é morta
Abre essa porta
Vem se apaixonar, oh

Dona da casa, destino malvado
Tá do meu lado,não tente escapar
Agora é tarde
A Inês é morta
Abre essa porta
Vem se apaixonar, oh

Oh Dona da casa por Nossa Senhora
Dai me o que beber senão eu vou me embora
Dona da casa por Nossa Senhora
Dai me o que beber senão eu vou me embora
Oh Dona da casa por Nossa Senhora
Dai me o que beber senão eu vou me embora
Dona da casa...